Lição 1 - 05 de Abril de 2020
Este louvor estou pondo aqui porque trata-se do Cristo que o amado apóstolo Paulo pregou em toda Ásia, chegando até nós.
O amor de Deus, brilha em mim em luz,
desde quando olhei para a cruz,
e aceitei quem estava lá em dor,
era o Filho de Deus o Senhor.
Era Jesus o sofredor seu sangue caia,
em prova de um grande amor,
em agonia por mim cristo sofria,
Jesus, Jesus, Jesus.
Jesus santo agora está em glória,
junto com o pai nos dando a vitória,
Deus é tão bom que por cristo te salvará,
aceite a Ele e seus pecados perdoará.
Olha para o céu e começa a clamar
o nome Jesus que faz a gente chorar,
chame este nome para te consolar,
Jesus, Jesus, Jesus.
A saudação grega usual era cairein (At 15:23; 23:26; Tg 1:1);
"Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os irmãos.
E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos, e os anciãos e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia, e Síria e Cilícia, saúde." Atos 15:22,23
E escreveu uma carta, que continha isto:
Cláudio Lísias, a Félix, potentíssimo presidente, saúde." Atos 23:25,26
Cláudio Lísias, a Félix, potentíssimo presidente, saúde." Atos 23:25,26
"Tiago, servo de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que andam dispersas, saúde." Tiago 1:1
aqui Paulo usa o cognato cáris (graça).
Paz era a saudação hebraica
comum (slalom).
Foi usada, por exemplo, quando os setenta foram enviados pelo Senhor (Lc 10:5).
Como em todas as suas saudações, Paulo
traz as palavras graça e paz juntas, e pode-se dizer que as duas resumem
todos os dons de Cristo.
A saudação tornou-se então uma bênção, ou uma
oração para que seus leitores possam conhecer inteiramente o favor
gratuito e imerecido vindo de Deus, reconciliando-os com Ele, e acrescentando-lhes tudo de que necessitam ( veja mais adiante sobre 3:2 a respeito de cáris); e para que possam conhecer a paz com Deus, paz em
seus corações e paz uns com os outros.
As duas palavras são, de fato
temas gêmeos da epístola, como o são do próprio evangelho de Cristo.
A
graça e a paz vêm de Deus nosso Pai, como a Origem de todas as coisas, e
do Senhor Jesus Cristo, que por aquilo que fez, trouxe ambas aos homens.
Agora, após sua breve saudação, e antes de expressar seus agradecimentos a Deus pelo bem-estar daqueles a quem está escrevendo (versículos 15, 16), o apóstolo compõe um grande hino de louvor — uma longa sentença, impossível de analisar, na qual cada pensamento liga-se ao que o precede.
Não há ordem predeterminada na enumeração das bênçãos;
a contemplação de uma leva naturalmente à seguinte — eleição já no princípio; filiação por adoção;
redenção, que significa perdão;
percepção dentro do propósito de Deus, propósito que a tudo abrange;
o privilégio (tanto de judeus quanto de gentios) de se tornarem Seu povo;
e o selo do Espírito, que é o penhor da herança final.
Três linhas de pensamento permeiam esta grande doxologia.
1. De eternidade a eternidade Deus opera todas as coisas de acordo com Seu plano perfeito.
Toda a história, todos os homens, tudo o que existe nos céus e na terra estão incluídos no Seu propósito.
2. Tal propósito é cumprido em Cristo, e portanto, cada bênção concedida aos homens encontra-se nEle.
3. Com relação aos homens, seu alvo é bem prático, que eles sejam “para louvor da Sua glória”.
No Novo Testamento, a palavra bendito (eulogetos) é usada somente com referência a Deus.
Só Ele é digno de ser bendito.
Os homens são benditos quando recebem Suas bênçãos;
Deus é bendito quando é louvado por tudo o que gratuitamente confere ao homem e ao seu mundo.
Acima de tudo é bendito como o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Rm 15:6; 1 Pe 1:3; Ap 1:6), pois Ele nos é revelado supremamente através de Cristo que, como Filho, é a imagem perfeita do Pai (veja Jo 1:18 e Hb 1:1-3).
A expressão grega que é traduzida por que nos tem abençoado é um particípio, que pode se referir a uma ocasião específica no passado quando aquelas bênçãos foram recebidas pela primeira vez, ou quando Ele as trouxe aos homens; mas o tempo verbal não dá idéia de uma necessidade a ser forçada.
Estritamente falando, também o substantivo é singular; uma tradução seria melhor “com cada bênção espiritual”.
D’Ele vem um contínuo jorrar de bênçãos, e isto não deve ser entendido principalmente em termos de dons materiais, dos quais nos lembramos mais prontamente, mas em termos de dons espirituais que transcendem, mas também incluem os materiais, pois a verdadeira apreciação das coisas que vemos é dependente de nosso gozo das coisas do Espírito.
Isto se torna mais claro ainda pela frase explicativa que segue, nas regiões celestiais.
O grego, en tois epouraniois, significa literalmente “nas coisas celestiais”, mas os outros usos da frase mostram que é muito mais do que um sinônimo para espiritual, de modo que nossos tradutores acertaram com essa tradução.
Nesta epístola, diz-se que Cristo está exaltado para estar “nos lugares celestiais” (1 :2 0 );
a sabedoria está sendo dada a conhecer aos principados e potestades "nos lugares celestiais” (3:10).
a mesma frase é usada com relação à esfera do conflito espiritual contra as forças do mal (6 :1 2 );
e, mais intimamente ligado ao assunto aqui tratado, em 2:6 fala-se dos cristãos como tendo sido ressurretos e feitos para “assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”.
Suas vidas estão erguidas acima das coisas passageiras.
Estão no mundo, mas também no céu, pois não são limitadas pelas coisas materiais que se dissipam (Fp 3:20).
Vida neste instante, se é vida em Cristo, é nas regiões celestes.
4. Data.
Vamos então, falar da autoria e data da epístola, assinada dentro da prisão, mas antes de falar sobre a autoria, data e assinatura nesta tão elevada mensagem, vou falar que é Paulo, este autor amado.
Na trajetória da Igreja existem apenas dois fatos ultra relevantes, A conversão de Saulo ao Cristianismo e a Descida do
Espírito Santo em Pentecostes. O apóstolo Paulo ou Saulo é o homem de maior influência no Cristianismo, sua conversão é tal relevância que Lucas registra este fato com todas as minúcias, e assim registra o fato por três vezes.
Uma no capítulo 9, outra no capítulo 22 e novamente no capítulo 26 do Livro de Atos. Paulo fazia parte da ala mais radical da religião judaica, a Seita dos Fariseus, tendo estudado com Gamaliel a fim de se tornar um grande líder em seu tempo. Saulo foi o maior perseguidor da igreja do primeiro século, pois entrava nas casas onde se faziam reuniões e encerrava os cristãos em duras penas nos cárceres, com o firme propósito de acabar com todos eles. A Bíblia nos mostra Paulo em suas três fases:
1. UM PERSEGUIDOR DA IGREJA DE JESUS. At 9:1 - Lucas cuidadosamente registra que ele se parecia com uma besta fera. At 26:11 Diz que ele caçava os cristãos para lhes obrigar a blasfemar contra Jesus Cristo, porque ele achava o cúmulo pensar num Messias que havia sido crucificado e escandalizado. At 9:2 - Não se contenta em matar crente só em Israel e querendo matar mais avança em direção da Síria querendo chegar em Damasco. (At 22:5) afim de trazê-los de volta e puni-los, porque odiava Jesus.
2. UM MALFEITOR IMPIEDOSO. Ananias teve muito medo quando foi ordenado a seguir ao encontro de Paulo, pois sabia muito bem que ele esteve por trás da morte impiedosa do irmão Estevão.
3.UM EXTERMINADOR At 9:21 diz que - ao ouvir seu nome os cristão ficavam atônitos.
PONTOS IMPORTANTES.
1. SAULO ou PAULO NÃO SE CONVERTEU, MAS FOI CONVERTIDO. At 9:3 - seguindo estrada a fora cheio de ódio, subitamente foi superabundado pela Graça do Dono da Igreja.
2. SAULO OU PAULO FOI DERRUBADO COM FORÇA. A Graça do Senhor Jesus nos procura com muito amor, mas se for preciso também tem Poder para derrubar, quebrar e cegar até o mais vil assassino a fim de torná-lo salvo pela Graça e perceber que contra o Poder de Deus não há resistência.
3. SAULO OU PAULO SE UTILIZAVA DA SUA INTELECTUALIDADE PARA RESISTIR A LÓGICA DIVINA. Jesus Cristo lhe jogou ao chão, mas não violentou sua estrutura. Jesus Cristo falou com ele e lhe ordenou ir a um determinado lugar e esperar o socorro para lhe mostrar que tem todo Poder e Controle da situação. Jesus Cristo não aniquilou a personalidade de Saulo. A graça de Deus não aprisiona, mas captura para abençoar. Jesus Cristo se mostrou como Luz e se revelou a Saulo com todo Seu Esplendor a ponto de lhe cegar a visão. Saulo ao se converter faz a pergunta mais preciosa: Que farei Senhor? Quando Ananias chegou ao local determinado, viu Saulo, orando pois esta é o primeiro desejo após a conversão, falar com Deus, invocar Seu Santo Nome. Saulo desejou ser batizado para se integrar na igreja e estava já cheio do Espírito Santo. Saulo prega em meio as perseguições, foi perdoado, mas as consequências dos seus atos não lhe foram tirados e assim enfrentou muitos açoites e prisões para abrir igrejas por toda parte que passava e ensinar os cristãos. E como ele mesmo diz, não se converteu porque estava desesperadamente nesta busca, mas pela vontade de Deus (Ef 1:1)
Esse é Saulo ou Paulo e assim foi sua conversão, agora vamos falar do estilo literário. Não há qualquer argumento muito desenvolvido. As passagens doutrinárias são mais líricas do que argumentativas.
I - AUTORIA E DATA 1. Autoria. 2. A assinatura apostólica. 3. Uma epístola da prisão.
4. Data.
Há longas sentenças, cheias de particípios, expressões sinônimas, genitivos e exegéticos (1:3-14, 15-23; 2:1-9; 3:1-7). Primeiro parágrafo. "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;
E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,
Para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado,
Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,
Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência;
Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,
De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;
Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;
Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo;
Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;
O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória. " Efésios 1:3-14
Segundo parágrafo. "Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações:Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação;
Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;
E qual a sobre excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,
Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus,
Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;
E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja,
Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos. " Efésios 1:15-23
Terceiro parágrafo. "E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Efésios 2:1-9
quarto parágrafo. "Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios; Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada;
Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi;
Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo,
O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas;
A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho;
Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder." Efésios 3:1-7
Parágrafo longo assim só mesmo sendo um erudito muito inteligente pode escrever sem errar sua composição.
Além do mais, se formos comparar o estilo com o de Colossenses, não consideraríamos o de Colossenses superior e de maior valor, nem diríamos que a diferença é tal que torne impossível identificar sua autoria. As diferenças podem, com certeza, ser explicadas tomando por base a diferença de propósito entre as duas cartas, e a diferença inevitável entre escrever uma epístola para resolver um problema específico e a tentativa de colocar no papel o resultado de uma meditação profunda e frutífera sobre os temas centrais do evangelho.
Em Efésios não houve necessidade de argumentação contra objeções e dificuldades. 1. O escritor aqui “não argumenta, mas faz afirmações dogmáticas” (Lock); de modo que ele tem oportunidade de se tornar lírico. Podemos acrescentar que quando Colossenses (1:12-22) e Romanos (1:1-6 e 8:32-39) fazem o mesmo, seus estilos se aproximam bastante do de Efésios.
Uma análise do vocabulário de Efésios revela que a epístola possui quarenta e duas palavras que não aparecem em qualquer outro lugar do Novo Testamento. Este número não é grande quando comparado com o de outras epístolas paulinas;
2. Pareceria mais significativo que trinta e oito palavras que são usadas aqui, bem como no restante do Novo Testamento, não o sejam nas outras cartas de Paulo. Algumas das palavras existem no Novo Testamento, que não constam das demais epístolas paulinas, não são, na realidade, peculiares a esta carta, pois encontramos palavras que têm a mesma raiz nessas outras epístolas de Paulo. Limitemo-nos a dar uns poucos exemplos. Note-se que diábolos é palavra usada apenas aqui e nas epístolas pastorais, ao passo que outras cartas paulinas usam Satanás. Há frases como “nos lugares celestiais”, “o Pai da glória”, “antes da fundação do mundo”, consideradas como não paulinas. Mas não deveríamos ficar surpresos pois a mente do apóstolo Paulo era fértil e aberta à influência da fraseologia de seus oponentes e também certamente, da terminologia de outros cristãos. Temos considerado o desenvolvimento especial da doutrina que encontramos em Efésios, e temos comparado o ensino da epístola com o de Colossenses. Ambas as maneiras de falar das obras de Deus podem ser encontradas em inúmeras epístolas paulinas. Para o apóstolo, aquilo que é a obra do Pai é a obra do Filho. Desde que ele pôde dizer, “para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também por ele” (1 Co 8 :6 ), "Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele." 1 Coríntios 8:6 não pode haver validade neste tipo de argumento. O que Deus faz, Ele faz através de Cristo (2 Co 5:18); "E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; " 2 Coríntios 5:18 o que Cristo faz, Ele faz de acordo com a vontade do Pai. Para alguns, um argumento mais importante é o de que a escatologia de Efésios é mais consumada do que futurista, sendo esta última a característica das epístolas anteriores de Paulo, inclusive Filipenses.
Algumas vezes se diz que 2:7 e 3:21 "Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus."Efésios 2:7 "A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém." Efésios 3:21 implicam um longo espaço de tempo antes do fim, tal como o escritor de Efésios considera.
Certamente as escatologias de Colossenses e Efésios são semelhantes. O Espírito Santo é o penhor da herança futura, porque a experiência da salvação ainda não é completa na vida do crente aqui e agora (1:13; 4:30). Um dia no futuro a Igreja será apresentada sem mancha, a Cristo (5:27). Haverá um futuro dia de ajuste de contas quando todos terão de estar na presença de Deus, o Juiz (5:6; 6:8).
Nós já consideramos anteriormente a maneira pela qual esta epístola trata da questão do relacionamento entre judeus e gentios. Independentemente deste assunto, há quem diga que os judeus são tratados em Efésios de um modo que Paulo mesmo nunca o faria. De 2:3 alguns dizem que os judeus são culpados das mesmas imoralidades que os gentios, enquanto que em 2:11 existe o que tem sido chamado de referência escarnecedora à circuncisão. Todavia, pode-se perguntar se Paulo fala menos a respeito dos pecados dos judeus, mesmo dos pecados da carne, em Romanos 2:21, e se fala nesse trecho menos severamente do que nesta epístola. Além do mais, em Efésios, a circuncisão não é mais depreciada do que em Romanos 2:25, Filipenses 3:1 e Colossenses 2:2; de fato o espírito das quatro passagens é bem semelhante. (Veja mais a respeito em 2:11.)
II – DESTINATÁRIOS
1. A cidade de Éfeso. 2. A religiosidade em Éfeso. 3. A igreja de Éfeso. 4. A saudação epistolar.
Então vamos falar acerca dos destinatários referindo-nos à cidade de Éfeso, sua religiosidade, a igreja em si e a saudação epistolar do apóstolo amado.
O mais antigo manuscrito de Efésios que possuímos, o papiro “Chester Beatty” de cerca do ano 200, os grandes códices do quarto século, Sinaítico e Vaticano, e algumas outras fontes autorizadas, não têm as palavras “em Éfeso...” de 1:1.
Márcion, que se tornou famoso na metade do segundo século por seus ensinos heréticos, refere-se a esta carta como a epístola aos Laodicenses. Isto pode ter acontecido porque ele tinha uma cópia com a expressão “em Laodiceia” introduzida em 1:1, ou, mais provavelmente, seria uma dedução da referência à carta “de Laodiceia” em Colossenses 4:16. "E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodiceia lede-a vós também." Colossenses 4:16 Pelo menos não haveria razões doutrinárias evidentes para que ele dissesse que fora escrita a crentes que não os de Éfeso, se é esse o título original.
Neste ponto o caso se complica, pois o Fragmento Muratoriano sobre o cânon (cerca do segundo século) se refere a duas epístolas, uma aos Efésios e outra aos Laodicenses.
Entretanto, quando chegamos ao terceiro século encontramos o grande erudito da Bíblia, Orígenes, a dizer que as palavras “em Éfeso” não se encontravam nos manuscritos que ele conhecia.
Tertuliano, na mesma época, acusou os marcionistas de terem mudado o título, mas não fez referência ao texto.
Basílio e Jerônimo, no quarto século, deixam claro que os melhores manuscritos que tinham à mão não incluíam essas palavras. Se imaginarmos esta epístola sem as palavras em 1:1 e sem título, teríamos de admitir não haver provas claras, a partir do conteúdo da carta, de ela ter sido enviada a Éfeso, e sim boas razões que surgem de que ela, dificilmente, teria sido destinada apenas à igreja naquela cidade.
Durante três anos Paulo morou e trabalhou em Éfeso (At 19 e 20:31).
"E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então:
Em que sois batizados então?
Lucas 6:35,36
A palavra graça é significativa demais para que Paulo passasse por ela superficialmente (cf. versículo 7 e 2:7). Ela deve ser qualificada e definida. O verbo grego caritoõ, usado na cláusula que Ele nos concedeu gratuitamente no amado, tem sua raiz no substantivo cáris (graça).
(Compare as construções das frases nos versículos 19, 20; 2:4 e 4:1). Algumas vezes tem-se entendido esta frase como “a graça com a qual Ele nos fez graciosos”; assim sendo, Crisóstomo (citado por Abbott) diz, “é como se alguém tomasse um leproso e o transformasse num jovem radiante”.
Mas de acordo com o contexto, significa mais “o favor com o qual Ele nos tem favorecido”, ou ainda “graça, que ele nos concedeu gratuitamente”. O que se tem em mente é a graça objetiva de Deus, o favor imerecido de Deus para conosco, mais do que qualquer virtude que recebemos. Novamente é enfatizado que isto se dá em Cristo que é o amado.
Esta expressão (o amado) também foi usada para Israel, e desta forma veio a ser usada como título do maior Representante de Israel, o Messias.
Uma vez que ser redimido é a necessidade básica que o homem tem da graça de Deus, a bênção da redenção segue-se à graça restauradora. Tal redenção encontra-se em Cristo — não apenas através dEle, mas por homens vindos a viver nEle (Rm 3:24; Cl 1:14).
Novamente o Antigo Testamento nos fornece elementos para compreensão, pois nele havia provisão para serem redimidas terras ou pessoas que haviam deixado de pertencer ao proprietário original para se tornarem propriedade de outro (veja Lv 25:25-27, 47-49; Nm 18:15).
Além do mais, o povo de Israel era um povo essencialmente redimido. Tinha sido escravo no Egito, e, posteriormente, devido à sua pecaminosidade, também o foi na Babilônia. Ainda assim Deus os redimiu, e pela redenção foram feitos Seu povo (Ex 15:13; Dt 7:8; Is 48:20; 59:9).
A idéia fundamental de redenção é de tornar livre uma coisa ou pessoa que se tornara propriedade de outrem. As vezes, tanto no Antigo como no Novo Testamento, não há menção explícita quanto ao preço pago pela redenção, e a palavra possui então apenas o sentido básico de soltura (Lc 21:28; Rm 8:23; Hb 9:15).
Mas a mente de Paulo freqüentemente se ocupava muito da idéia de redenção a um preço altíssimo, e em inúmeras passagens no Novo Testamento esta idéia está obviamente presente (At 20:28; 1 Co 6:20; 1 Pe 1:18; Ap 5:9).
Não podemos afirmar aqui que Paulo se refira explicitamente ao custo da redenção, mas logo a seguir diz que ela se dá pelo Seu sangue. Também não teria ele hesitado em declarar que aquilo que é o instrumento de libertação, é também o preço.
No caso da páscoa, a redenção do povo estava associado a um sacrifício. Entretanto, o objetivo básico da maioria dos antigos sacrifícios era lançar fora o pecado. Estava profundamente arraigado na mentalidade do povo o fato de que o pecado não podia ser facilmente posto de lado. Pecado requeria sacrifício; “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22; Lv 17:11).
Cristo satisfez a necessidade que estava patente em todo o sistema sacrificial do Antigo Testamento. Sua morte significa que houve derramamento de sangue como sacrifício pelo pecado; e isto também pode ser descrito em termos de derrota do pecado e, que tem como conseqüência, o homem libertar-se de sua escravidão.
O sacrifício é, dessa maneira, o meio de redenção, que é a remissão dos pecados. O pecado implica escravidão da mente, vontade e membros, ao passo que remissão é liberdade, é aphesis, palavra usada aqui, que literalmente significa a soltura de uma pessoa de algo que a prenda. Paulo diz que esta remissão e perdão ocorrem segundo a riqueza da sua graça, graça que está além de qualquer bem terreno (Mt 6:19; 1 Tm 6:17; Hb 11:26).
Por seis vezes o apóstolo fala nesta carta das riquezas de Deus, reveladas e acessíveis aos homens, da riqueza de Sua graça, da Sua misericórdia e da Sua glória (1:7, 18; 2:4, 7; 3:8, 16), e tal expressão é caracteristicamente paulina (Rm 2:4; 9:23; 11:33; 2 Co 8:9; Cl 1:27; 2:2).
Deus não só compartilha conosco da sua riqueza, mas no-la dá segundo a medida que Ele tem como necessária (Fp 4:19).
Todavia, estes qualificativos da graça não estão exaustivamente explorados. “Abundância” é outra palavra favorita do apóstolo, a qual expressa a quantidade mais que suficiente da doação divina, o jorrar de uma fonte que tem origem abundante e profunda ; e , que também por Sua graça, expressa a qualidade que se espera da vida de um cristão (1 Ts 3:12; 4:1,10).
E é na expressão em toda a sabedoria e prudência que encontramos a quarta das grandes bênçãos que o apóstolo enumera. Deus não apenas recebe e perdoa àqueles que Ele reconciliou consigo mesmo como filhos. Ele também ilumina com a compreensão do Seu propósito. Este assunto é mais desenvolvido nos capítulos 2 e 3. Em muitos escritores clássicos faz-se distinção entre sabedoria (sophia) e prudência (phronêsis).
Embora nem sempre ocorra esta distinção, talvez seja correto distinguir nesta passagem sabedoria, que Robinson define como “o conhecimento que olha para o coração das coisas, que as conhece tal como realmente são”, de prudência, que ele chama de “compreensão que leva a agir corretamente”.
Se isto está certo, segue-se que a sabedoria de Deus não é apenas intelectual ou acadêmica, mera filosofia superior tal como a que os gnósticos nos dias primitivos da Igreja alardeavam possuir; mas é também a origem da compreensão de detalhes do viver diário (Fp 1:9).
Como Barclay diz, “Cristo outorga aos homens a habilidade de ver as grandes verdades últimas da eternidade e de resolver os problemas de cada instante”.
Os homens têm essa sabedoria e prudência porque Deus revela Sua vontade a respeito do objetivo e propósito da vida, bem como de seus detalhes (Cl 1:9). Aquilo que Ele revela, o apóstolo chama de mistério.
Em grego clássico a palavra mistêrion tinha dois significados.
O significado existente na raiz dessa palavra é de algo em que alguém era iniciado, e daí surgiu o sentido de segredo de qualquer tipo.
Na Septuaginta1 usou-se o termo mistério para indicar aquilo que é revelado por Deus (Dn 2:19), e também para indicar o mexerico que parte de um bisbilhoteiro (Eclesiástico 22:22).
Dessa maneira o uso que os cristãos fizeram dessa palavra no Novo Testamento não é necessariamente derivado das religiões pagãs de mistério, tão comuns naqueles dias. É verdade, entretanto, que Paulo não poderia ter deixado de pensar neste uso da palavra, e não há dúvida de que, conscientemente, comparou os estranhos e infundados mistérios pagãos com a verdade de Deus, em Cristo revelada a todos os que a recebem, e por meio de Cristo dada à Sua Igreja para proclamar ao mundo. Pois para Paulo, o mistério essencial era a maneira pela qual Deus, por meio de Cristo, traz os homens de volta à comunhão Consigo mesmo. E mais do que isso, é a maneira pela qual Ele traz a uma unidade restaurada o universo inteiro que se tornara desordenado devido à rebelião e pecado do homem.
Portanto, a palavra no Novo Testamento diz respeito não a alguma coisa misteriosa, mas a alguma coisa revelada, e, de um modo geral, as palavras que expressam abertura, e não guarda de segredo, é que melhor traduzem mistêrion (Cl 1 N. do T. — Tradução grega do Antigo Testamento.
Por outro lado, a palavra tem também o significado de uma verdade que anteriormente ainda não fora revelada, mas que agora o é (Rm 16:25), e o fato ainda mais importante de que a compreensão depende da vontade de Deus em revelá-la e do desejo do homem de receber entendimento, o qual deve ser dado por Deus.
Vemos, então, que o apóstolo, tal como nos versículos 7 e 8 , onde procurava descrever e exaltar a generosidade da graça de Deus, aqui no fim deste versículo quer expressar a maravilha do Seu propósito.
Devemos, entretanto, analisar a palavra dispensação para compreender melhor o significado que lhe atribui o apóstolo.
O que se tem em mira aqui é o governo ou o arranjo das coisas para o povo de Deus e para todo o universo. Jesus Cristo ordena cada coisa a seu tempo, e com sabedoria infinita ordena o tempo de cada coisa.
Deve-se também destacar que a palavra usada para tempos não é chronos, que dá a idéia de passagem de tempo em dias, meses e anos, mas kairos, que se refere a tempos particulares, os tempos decisivos de cumprimento dos propósitos de Deus.
Bruce faz deste trecho uma boa paráfrase: “Quando todos os tempos e épocas que Deus fixou por Sua própria autoridade tiverem se completado, o eterno propósito de Deus, o qual Ele planejou em Cristo, alcançará completa realização”.
A palavra grega anakephalaiõsasthai {fazer convergir) era usada no sentido de juntar várias coisas e apresentá-las como sendo uma só. O costume grego era somar uma coluna de números e colocar o resultado em cima, e este nome foi dado a tal processo. Desse modo usava-se a palavra em retórica para resumir o discurso ao seu final, de modo a mostrar a relação de cada parte para com o argumento todo.
Em Romanos 13:9 é usada para resumir os vários mandamentos na exigência do amor. Para um estudo mais minucioso da palavra, veja Robinson, pp 234. 2 “to be put into effect when the time was ripe” (NEB) três idéias estão presentes na palavra — os fatos da restauração, da unidade e de Cristo ser o cabeça.
Weymouth deixa bem claras estas idéias ao traduzir: “o propósito... de restaurar toda a criação de modo a achar seu único Cabeça em Cristo”.
Todas as coisas foram criadas em Cristo (Cl 1:16).
Devido ao pecado, vieram ao mundo desordem e desintegração intermináveis; mas ao final, todas as coisas serão restauradas à sua função original e à sua unidade pelo fato de terem sido trazidas à obediência a Cristo (Cl 1:20).
A frase todas as coisas, que em grego expressa universalidade absoluta (Cl 1:17; Hb 1:3), significa: tanto as do céu como as da terra.
Paulo tem em mente toda a criação, tanto a espiritual como a material.
Além do mais, esta epístola não fala apenas de um objetivo distante, mas apresenta — agora num mundo dividido por barreiras de raça, cor, cultura e sistema político — a tarefa da Igreja, qual seja, de trazer todas as coisas e todos os homens ao cativeiro da obediência a Cristo (2 Co 10:5), e a descoberta de suas verdadeiras funções e unidade nEle.
A frase final do versículo 10 reitera que a bênção nele mencionada, bem como as demais, é recebida em Cristo e o mesmo se aplica ao versículo onze, pois Paulo continua dizendo no qual (Cristo) fomos também feitos herança.
Basicamente o verbo aqui, klêroõ, significa “escolher por lote”. Freqüentemente no uso da palavra desaparece a idéia de “lote”, e o pensamento é essencialmente aquele que ocorre com freqüência no Antigo Testamento quando se fala de Israel como a porção de Deus (Dt 4:20; 9:29; Zc 2:12).
A palavra herança (klêronomia; v. 14) é palavra cognata, e embora não seja exatamente o que significa aqui, dá essa idéia, de que aqueles que são porção de Deus, têm sua herança nEle. Neste ponto quando diz que nós, os judeus, nos tomamos Seu povo, Paulo está falando da realização do propósito de Deus para os homens iniciada no Velho Testamento.
O plano divino para a redenção do homem começou com os judeus sendo predestinados segundo o propósito dAquele que faz todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade.
A mesma palavra predestinados foi usada no versículo 5. Eles foram “marcados de antemão”, para participarem do Seu propósito.
E tal propósito não é como planos ou projetos da história, os quais se concretizam ao sabor das circunstâncias, à medida que passam os anos e séculos. Esse propósito parte de um Deus pessoal que está ativo no mundo, operando Sua própria vontade em sabedoria e graça (Rm 8:28).
As palavras aqui usadas possuem esta força: primeiro, da ação de Deus “impulsar” (energountos) ou seja “energizar” todas as coisas; portanto, Seu plano determinado (boulê; At 2:23; 4:38; 13:36; 20:27); portanto Seu querer ou vontade (thelêma; vs. 5 e 9). Weymouth traduz assim: “cujo poder em tudo leva a efeito o desígnio de Sua própria vontade”.
O apóstolo diz que o objetivo deste plano para com os judeus era de que eles deveriam servir para louvor da Sua glória. Não foi com outro propósito que Deus escolheu Abraão, e operou Seu desígnio na história de Israel, senão o de que eles manifestassem ao mundo a Sua glória (Is 43:21), Seu caráter e natureza revelados.
De modo que aqui Paulo fala daqueles que de antemão esperaram em Cristo. Aqui o verbo esperar possui o prefixo pro\ o que pode dar margem a dois significados: primeiro, que eles já esperavam em Cristo antes dos outros (mas depois da encarnação); ou, segundo, que eles tinham colocado sua esperança em Cristo antes de Sua vinda.
O fato de que os judeus tinham o conhecimento do evangelho antes dos gentios é expresso em Romanos 1:16 e 2:9. Entretanto, é mais provável que aqui se refira à esperança judaica em “o Cristo” (o grego possui o artigo) antes de Sua vinda (At 28:20).
Este versículo tem sido traduzido de inúmeras maneiras, mas o sentido mais provável é: em Quem (Cristo...) também vós (...) fostes selados. Os gentios que outrora estavam sem esperança (2:12) passaram a participar do mesmo propósito que os judeus, pelas mesmas razões, pois Paulo continua a dizer o que isso significava para eles.
Os gentios passaram a participar do propósito de Deus porque vieram a conhecer Jesus como o Cristo, e este conhecimento transformador é descrito de duas formas. Primeiro, é a palavra da verdade, ou seja, a palavra que lhes trouxe ao conhecimento da realidade última, a revelação de Deus em Seu Filho (4:21; Cl 1:5). E em segundo lugar, aquela verdade é o evangelho ou as boas novas, não apenas por ser revelação, mas também por ser mensagem de amor e misericórdia e salvação de Deus para homens pecadores (Rm 1:16).
Ouvir essa palavra é de importância vital, porque só pelo ouvir é que se chega ao conhecimento da verdade do evangelho (Rm 10:14).
Tanto gentios como judeus, tendo ouvido e crido, foram selados. No mundo antigo, o selo representava o símbolo pessoal do proprietário ou do remetente de alguma coisa importante, e, por isso, tal como numa carta, distinguia o que era verdadeiro do que era espúrio. Era também a garantia de que o objeto selado havia sido transportado intacto.
Na época do Novo Testamento havia certos cultos religiosos que tinham o costume de fazer tatuagens com o emblema do grupo em seus seguidores, com o que se dizia “terem sido selados” os iniciados.
Esta idéia pode ter estado também na mente de Paulo ao usar esta expressão, bem como no texto de um outro contexto como o de Gálatas 6:17, embora não necessariamente. Os judeus consideravam a circuncisão como um selo (Rm 4:11). O Espírito Santo é o selo do cristão. A experiência do Espírito Santo na vida é, para o cristão prova cabal, e também uma demonstração para os outros, da genuinidade do objeto da sua fé, além da segurança interior proporcionada pela convicção de pertencer a Deus como filho (Rm 8:15; G1 4:6).
O batismo tornou-se conhecido como o selo do Espírito, porque é “um sinal exterior e visível” da obra interior de Deus, sinal que é dado ao crente. Mas aqui está bem claro que a presença do Espírito Santo é que é o selo.
O espírito na vida do crente é o sinal inegável da obra de Deus nele e para ele. O Espírito constitui também o meio pelo qual o cristão pode ser guardado “intacto” até o dia do Senhor.
(Deve-se compreender que os contextos aqui, em 4:30 e em 2 Co 1:21 — passagens em que se fala do “selo” — todos versam sobre a posse plena das bênçãos de Deus no final).
A expressão Santo Espírito da promessa pode, no grego, ter o sentido de “o Santo Espírito prometido”, ou seja, o Espírito que foi prometido no Antigo Testamento (Ez 36:26; 37:1-14;.J1 2:28) e, posteriormente, pelo Senhor (Lc 24:49; Jo 14 e 16; At 1: 4).
Se tal é o sentido, é um pouco estranho que Paulo tivesse deixado de fazer uso do particípio. Parece mais provável que com essa expressão quisesse falar do Espírito Santo cuja presença traz a promessa das boas coisas vindouras.
Num negócio entre duas partes o penhor (arrabôn — uma palavra que os gregos herdaram dos mercadores fenícios) era um pagamento parcial, que dava a certeza de que o pagamento total seria feito.
A palavra grega é usada três vezes na LXX (em Gêneses 38:17-20) com o sentido de garantia, e significativamente a mesma palavra é usada em grego moderno para designar o anel de noivado, ou seja, de compromisso (Bruce).
A experiência que o cristão tem do Espírito e, presentemente, uma antecipação e uma garantia daquilo que será seu quando entrar na posse plena da herança legada por Deus. (Compare 2 Co 1:21 — onde penhor também está ligado à idéia de selo — 2 Co 5:5, e também Rm 8:23, onde, com sentido semelhante, o Espírito é chamado “as primícias“, isto é. os primeiros frutos).
Até ao resgate da sua propriedade tem sido traduzido às vezes por “até à obtenção (plena) de nossa possessão divina” (Moffatt). A favor disto está o fato de que se continua o pensamento já expresso na metáfora do penhor. Mas as palavras resgate (apolutròsis) e propriedade (peripoiêsis), como muitos outros termos deste trecho, como palavras técnicas que são, devem, mais naturalmente, ser interpretadas à luz do seu uso no Antigo Testamento, uso este que os cristãos estavam adquirindo de novo.
O resgate é a libertação de escravos do pecado para se tornarem povo de Deus. Com este sentido foi a palavra usada no versículo 7, e freqüentemente ocorre no Novo Testamento com esta acepção.
Tal resgate é, parcialmente, alcançado agora, mas no fim o será totalmente (4:30 Rm 8:23; Lc 21:28); nessa ocasião Deus tirará das mãos estranhas aquilo que é Seu. O que Ele objetiva resgatar é o “povo exclusivo” do próprio Deus, e esta idéia ocorre em 1 Pedro 2:9, e faz lembrar Êxodo 19:5 e talvez Isaías 43:21 e Malaquias 3:17. 1 Se seguirmos esta idéia, devemos compreender que “a metáfora de uma transação mercantil a esta altura desapareceu” (Robinson), e as metáforas do Antigo Testamento, que se encontravam mais facilmente na mente do apóstolo, são retomadas.
Em qualquer outro caso, esta grande doxologia termina com o pensamento da possessão plena de tudo o que Deus planejou para os homens — tanto judeus como gentios, cada estágio da revelação do propósito de Deus, é em louvor da Sua glória.
E eles disseram:
No batismo de João.
Mas Paulo disse:
Mas Paulo disse:
Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo.
E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus.
E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam.
E estes eram, ao todo, uns doze homens.
E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus.
Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano.
E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos.
E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias.
De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam.
E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo:
E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus.
E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam.
E estes eram, ao todo, uns doze homens.
E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus.
Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano.
E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos.
E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias.
De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam.
E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo:
Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega.
E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes.
Respondendo, porém, o espírito maligno, disse:
E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes.
Respondendo, porém, o espírito maligno, disse:
Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois?
E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa.
E foi isto notório a todos os que habitavam em Éfeso, tanto judeus como gregos; e caiu temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido.
E muitos dos que tinham crido vinham, confessando e publicando os seus feitos.
Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil peças de prata.
Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.
E, cumpridas estas coisas, Paulo propôs, em espírito, ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela Acaia, dizendo:
E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa.
E foi isto notório a todos os que habitavam em Éfeso, tanto judeus como gregos; e caiu temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido.
E muitos dos que tinham crido vinham, confessando e publicando os seus feitos.
Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil peças de prata.
Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.
E, cumpridas estas coisas, Paulo propôs, em espírito, ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela Acaia, dizendo:
Depois que houver estado ali, importa-me ver também Roma.
E, enviando à Macedônia dois daqueles que o serviam, Timóteo e Erasto, ficou ele por algum tempo na Ásia.
E, naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho.
Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia de prata nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices,
Aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Senhores, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade;
E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos.
E não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram.
E, ouvindo-o, encheram-se de ira, e clamaram, dizendo:
E, enviando à Macedônia dois daqueles que o serviam, Timóteo e Erasto, ficou ele por algum tempo na Ásia.
E, naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho.
Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia de prata nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices,
Aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Senhores, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade;
E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos.
E não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram.
E, ouvindo-o, encheram-se de ira, e clamaram, dizendo:
Grande é a Diana dos efésios.
E encheu-se de confusão toda a cidade e, unânimes, correram ao teatro, arrebatando a Gaio e a Aristarco, macedônios, companheiros de Paulo na viagem.
E, querendo Paulo apresentar-se ao povo, não lho permitiram os discípulos.
E também alguns dos principais da Ásia, que eram seus amigos, lhe rogaram que não se apresentasse no teatro.
Uns, pois, clamavam de uma maneira, outros de outra, porque o ajuntamento era confuso; e os mais deles não sabiam por que causa se tinham ajuntado.
Então tiraram Alexandre dentre a multidão, impelindo-o os judeus para diante; e Alexandre, acenando com a mão, queria dar razão disto ao povo.
Mas quando conheceram que era judeu, todos unanimemente levantaram a voz, clamando por espaço de quase duas horas:
E encheu-se de confusão toda a cidade e, unânimes, correram ao teatro, arrebatando a Gaio e a Aristarco, macedônios, companheiros de Paulo na viagem.
E, querendo Paulo apresentar-se ao povo, não lho permitiram os discípulos.
E também alguns dos principais da Ásia, que eram seus amigos, lhe rogaram que não se apresentasse no teatro.
Uns, pois, clamavam de uma maneira, outros de outra, porque o ajuntamento era confuso; e os mais deles não sabiam por que causa se tinham ajuntado.
Então tiraram Alexandre dentre a multidão, impelindo-o os judeus para diante; e Alexandre, acenando com a mão, queria dar razão disto ao povo.
Mas quando conheceram que era judeu, todos unanimemente levantaram a voz, clamando por espaço de quase duas horas:
Grande é a Diana dos efésios.
Então o escrivão da cidade, tendo apaziguado a multidão, disse:
Então o escrivão da cidade, tendo apaziguado a multidão, disse:
Homens efésios, qual é o homem que não sabe que a cidade dos efésios é a guardadora do templo da grande deusa Diana, e da imagem que desceu de Júpiter?
Ora, não podendo isto ser contraditado, convém que vos aplaqueis e nada façais temerariamente;
Porque estes homens que aqui trouxestes nem são sacrílegos nem blasfemam da vossa deusa.
Mas, se Demétrio e os artífices que estão com ele têm alguma coisa contra alguém, há audiências e há pro cônsules; que se acusem uns aos outros;
E, se alguma outra coisa demandais, averiguar-se-á em legítima assembléia.
Na verdade até corremos perigo de que, por hoje, sejamos acusados de sedição, não havendo causa alguma com que possamos justificar este concurso.
E, tendo dito isto, despediu a assembléia." Atos 19:1-41
Ora, não podendo isto ser contraditado, convém que vos aplaqueis e nada façais temerariamente;
Porque estes homens que aqui trouxestes nem são sacrílegos nem blasfemam da vossa deusa.
Mas, se Demétrio e os artífices que estão com ele têm alguma coisa contra alguém, há audiências e há pro cônsules; que se acusem uns aos outros;
E, se alguma outra coisa demandais, averiguar-se-á em legítima assembléia.
Na verdade até corremos perigo de que, por hoje, sejamos acusados de sedição, não havendo causa alguma com que possamos justificar este concurso.
E, tendo dito isto, despediu a assembléia." Atos 19:1-41
Quando analisamos isoladamente a maneira tão comovente como Paulo
se dirigiu aos anciãos da igreja de Éfeso em At 20:18-38,
"E de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja.
E, logo que chegaram junto dele, disse-lhes: Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós,
Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram;
Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas,
Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.
E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer,
Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações.
Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.
E agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o reino de Deus, não vereis mais o meu rosto.
Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos.
Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.
Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.
Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho;
E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.
Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós.
Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados.
De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário.
Sim, vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram.
Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.
E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles.
E levantou-se um grande pranto entre todos e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam,Entristecendo-se muito, principalmente pela palavra que dissera, que não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até o navio." Atos 20:17-38
bem podemos perguntar se ele poderia ter escrito uma carta a esta igreja sem referir-se ao tempo que lá esteve, sem mencionar as pessoas que conhecera tão bem na igreja, e sem notícias pessoais de qualquer espécie.
Ao contrário, a carta está escrita como se alguns, pelo menos, de seus leitores destinatários, não fossem bem conhecidos do autor (1:15,16; 3:2-4; 4:17-20). "Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações:" Efésios 1:15,16
"E de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja.
E, logo que chegaram junto dele, disse-lhes: Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós,
Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram;
Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas,
Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.
E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer,
Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações.
Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.
E agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o reino de Deus, não vereis mais o meu rosto.
Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos.
Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.
Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.
Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho;
E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.
Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós.
Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados.
De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário.
Sim, vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram.
Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.
E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles.
E levantou-se um grande pranto entre todos e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam,Entristecendo-se muito, principalmente pela palavra que dissera, que não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até o navio." Atos 20:17-38
bem podemos perguntar se ele poderia ter escrito uma carta a esta igreja sem referir-se ao tempo que lá esteve, sem mencionar as pessoas que conhecera tão bem na igreja, e sem notícias pessoais de qualquer espécie.
Ao contrário, a carta está escrita como se alguns, pelo menos, de seus leitores destinatários, não fossem bem conhecidos do autor (1:15,16; 3:2-4; 4:17-20). "Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações:" Efésios 1:15,16
"Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada;
Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi;
Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, "Efésios 3:2-4
Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi;
Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, "Efésios 3:2-4
"E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente.
Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração;
Os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza.
Mas vós não aprendestes assim a Cristo, " Efésios 4:17-20
A evidência da natureza da epístola, como uma unidade, fortemente apóia a prova textual de 1:1
"Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: " Efésios 1:1 de que esta carta dificilmente teria sido uma mensagem escrita pelo apóstolo Paulo para seus muitos amigos e convertidos na igreja de Éfeso.
Duas perguntas foram muito discutidas pelos eruditos: 1. Para quem a epístola teria sido escrita? 2. E, como veio ela a ser conhecida por “epístola do apóstolo Paulo aos Efésios?” Nenhuma das duas perguntas pode ser respondida com certeza, entretanto, damos aqui algumas das explicações que têm sido sugeridas sobre o assunto:
a. Não foi enviada a uma igreja em particular, mas a qualquer cristão que viesse a lê-la. Alguns têm sustentado que 1:1 faz sentido sem as palavras “em Éfeso” ou mesmo sem referência a qualquer outra localidade, lendo-se então, “aos santos que também são fiéis em Cristo Jesus”.
Gramaticalmente esta é uma interpretação bem difícil, pois “fiéis” é uma expressão que, juntada a “santos”, dificilmente requereria a ênfase que é dada pelo artigo, pelo particípio e pela conjunção “e” juntos.
Os textos paralelos nas epístolas aos Romanos, 1 e 2 Coríntios e Filipenses nos levam quase inevitavelmente à conclusão de que, originalmente, havia de fato um nome de lugar no versículo.
Além do mais, há passagens que, evidentemente foram escritas, tendo o autor, leitores específicos em mente, mesmo que tenham sido leitores de várias e diferentes igrejas (1:15; 6:21). "Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, "Efésios 1:15 "Ora, para que vós também possais saber dos meus negócios, e o que eu faço, Tíquico, irmão amado, e fiel ministro do Senhor, vos informará de tudo. O qual vos enviei para o mesmo fim, para que saibais do nosso estado, e ele console os vossos corações.
Paz seja com os irmãos, e amor com fé da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo.
A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém." Efésios 6:21-24
b. Foi enviada a uma igreja local, mas o endereço e as saudações pessoais foram posteriormente omitidos a fim de que a carta pudesse ter um alcance mais geral. Então, de algum modo, a carta se tornou particularmente ligada a Éfeso. Não poderíamos remover as referências aos destinatários simplesmente retirando as saudações e o endereço. Este fato se opõe de forma especial ao ponto de vista de Márcion, de que a epístola fora enviada a Laodiceia.
Pode ser acrescentado que Colossenses 4:16 "E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também." Colossenses 4:16
fala de uma carta “de Laodicéia” e não apenas “a Laodicéia”, e, de fato, Paulo dificilmente teria enviado saudações em particular a crentes de Laodicéia, em Colossenses 4:13-15, "Pois eu lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e pelos que estão em Hierápolis. Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas.
Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa. " Colossenses 4:13-15
Dá-nos a entender que ele tivesse escrito uma outra carta a eles na mesma época.
c. Foi enviada a certas igrejas de uma determinada área, provavelmente a província romana da Ásia. As evidências internas e externas proporcionam bastante apoio a este ponto de vista. Há duas alternativas quanto a esta sugestão. Supõe-se que cópias da carta foram distribuídas a diferentes igrejas, e foi deixado um espaço para que o portador preenchesse o nome da igreja assim que ele a visitasse. Contra isto argumenta-se que tal expediente não encontra paralelo na maneira de escrever cartas naquele tempo, mas a resposta que pode ser dada é de que, “um plano tão simples e de tanto bom senso não necessita ser justificado por precedente” 1 . Por outro lado, sugere-se que havia inúmeras cópias da carta, tendo cada uma um destinatário diferente.
A cópia endereçada a Éfeso tornou-se a carta aceita, porque Éfeso era a igreja mais importante.
A mais forte objeção ao ponto de vista de que a epístola foi escrita a um grupo de igrejas na província romana da Asia é que temos inúmeros escritos no Novo Testamento que foram enviados a um grupo de igrejas — 2 Coríntios, Gálatas, 1 Pedro, Apocalipse — mas em cada caso o fato está claro em suas introduções. Por que não poderia ter sido endereçada da mesma maneira a estas igrejas da Asia? Não podemos dar uma resposta a esta pergunta, exceto dizer que a idéia de um mensageiro preencher o nome do lugar à medida que visitava as igrejas não é uma alternativa impossível como maneira de se dirigir a todas elas.
d. Por último, tem sido defendido, em anos recentes, que esta estranha incerteza acerca do destinatário da epístola, considerada juntamente com outras características particulares da carta, fornece provas em apoio à hipótese de que não foi Paulo, pessoalmente, que escreveu 1 GRAHAM E. “Efésios” in: A New Commentary on Holy Scriptures, Gore, Goudge and Guillaumme, 1928. 19 INTRODUÇÃO Etésios, mas que ela teria origem na mão de uma outra pessoa, posteriormente à morte do apóstolo. Devemos nos voltar agora a esta questão da autoria, mas antes de tentarmos dar qualquer palavra final, devemos primeiro considerar a relação de Efésios com outros escritos neotestamentários.
III – PROPÓSITO E MENSAGEM 1. O propósito. 2. A mensagem.
O propósito de Deus é apresentado não como sendo desta terra, mas do céu, pelo fato de que já existia antes da fundação do mundo. Eleição, tal como disse Calvino, é o “fundamento e a primeira causa” de todas as bênçãos. E a doutrina da eleição permeia toda a Bíblia. Israel foi escolhido, não por algum mérito, mas para ser o meio de cumprir o propósito eterno de Deus (veja Dt 7:6-8; Is 42:1; 43:20).
No Novo Testamento o princípio da eleição é confirmado, mas já não há uma limitação nacional — uma verdade que esta epístola desenvolve e expõe mais adiante. Esta doutrina da eleição, ou predestinação, não é levantada como um assunto de controvérsia ou especulação. Não é colocada em oposição ao fato auto-evidente da livre vontade do homem. Envolve um paradoxo que o Novo Testamento não procura resolver, e que nossas mentes finitas não podem compreender em sua profundidade.
Paulo enfatiza tanto o propósito soberano de Deus quanto o livre arbítrio do homem. Ele tomou o evangelho da graça e o ofereceu a todos. Então, para aqueles que aceitaram o evangelho, ele apresentou a doutrina da eleição por duas razões, as quais encontramos ligadas de modo semelhante em João 15:16, Romanos 8:29, 2 Tessalonicenses 2:13, 2 Timóteo 1:9 e 1 Pedro 1:2. Primeiro, o cristão necessita perceber que sua fé descansa completamente sobre a obra de Deus e não sobre o fundamento inseguro de qualquer coisa que encontre em si mesmo. Tudo é trabalho do Senhor, e de acordo com o Seu plano, um plano que existia antes da fundação do mundo. Segundo, Deus nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis perante ele (cf. 5:27 e Cl 1:22). Eleição não é apenas para salvação, mas para santidade de vida. Fomos “criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”, conforme 2:10.
Os cristãos foram predestinados “para serem conforme à imagem de Seu Filho” (Rm 8:29). O objetivo e o alvo da vida cristã é, portanto, a perfeita santidade (Mt 5:48), que é expressa em seu aspecto positivo como dedicação da vida (veja a respeito no versículo 1 ) e, negativamente, como a possibilidade de livrar-se de todo o erro. Atrás da palavra amõmous, usada de modo semelhante eni Filipenses 2:15, e aqui traduzida por irrepreensíveis, (RV — “without blemish”), há uma conexão com os sacrifícios do Antigo Testamento.
Somente um animal perfeito podia ser oferecido a Deus (veja Lv 1:3, 10). De maneira que, na expressão de Hebreus 9:14, Cristo a si mesmo se ofereceu moral e espiritualmente “sem mácula a Deus” (1 Pe 1:19). A vida do cristão também deve ser “sem mácula”, não apenas de acordo com os padrões humanos, mas também perante Ele, o qual é a Testemunha de tudo o que um homem faz, pensa e diz. (A respeito desta mesma ênfase dada pelo apóstolo à vida do homem vivida a cada momento perante Deus, veja Rm 1:9; 2 Co 4:2; G11:20; 1 Ts 2:5).
As palavras em amor podem ser entendidas de acordo com as que seguem ou com as que precedem, e as diversas opiniões de tradutores e comentadores, tanto do passado como do presente, indicam que não é possível ser dogmático quanto à intenção do escritor. Uma possível tradução seria “Ele nos predestinou em amor para sermos Seus filhos”. Talvez esteja certo; pelo menos é uma verdade que o parágrafo todo enfatiza. Mas a posição da frase e seu uso em outros lugares da epístola dentro de um contexto de amor do homem, mais do que amor de Deus (3:17; 4:2, 16; 5:2), levam a crer que a idéia do autor é de que santidade de vida somente é perfeita em amor e através dele (cf. 1 Ts 3:12). 5. A RV traduz predestinados por “preordenados”. O grego proorisas (predestinados) significa literalmente “marcados de antemão”. É apenas uma outra palavra que expressa o fato de que o plano de Deus para Seu povo vem desde a eternidade. Tal plano é o ato divino de adoção de filhos por meio de Jesus Cristo. Os homens foram criados para viverem em comunhão com Deus, como filhos com o Pai (Gn 1:26; At 17:28). Pelo pecado o privilégio se perdeu, mas pela graça em Cristo e através dEle, a restauração à filiação se tornou possível (Jo 1:12). Adoção — que não era um costume judeu, mas romano — é a melhor maneira de descrever isto (cf. Rm 8:15, 23; G1 4:5), porque um filho adotado deve sua posição à graça e não ao direito, e, ainda mais, é trazido ao seio da família, passando a ter os mesmos privilégios e deveres de um filho de nascimento. O que Deus fez foi segundo o beneplácito da sua vontade. Ambas as expressões falam aqui do Seu propósito e do Seu amor soberano. Beneplácito (eudokia) tem dois sentidos nas Escrituras. Algumas vezes significa boa vontade para com alguma pessoa (Lc 2:14); mas onde não há referência à pessoa que sente esta boa vontade , geralmente significa propósito, tal como bem se encaixa no contexto aqui e no versículo (cf. Mt 11:26)— embora também possa haver uma idéia do primeiro sentido (cf. o uso do verbo correspondente em Lc 12:32).
O propósito de Sua vontade (thelèmatos) é o que Moule descreve como Sua “resolução deliberada e beneficente” 1 6 . Neste versículo aparece pela primeira vez a frase para louvor da glória de sua graça que ocorre mais duas vezes neste parágrafo, tal como um refrão no final de estrofes sucessivas num poema. A glória de Deus é a manifestação de Sua própria natureza e a graça é Sua suprema auto manifestação. (Veja Ex 33:10: 34:5-7).
Assim como Israel foi escolhido para viver para Seu louvor (Is 43:21), "A esse povo que formei para mim; o meu louvor relatarão. Contudo tu não me invocaste a mim, ó Jacó, mas te cansaste de mim, ó Israel.
Isaías 43:21,22
assim também aqueles que são recebidos em Cristo como filhos devem demonstrar a natureza da graça do Pai e, dessa maneira, glorificá-lo (cf. 5:1,2; Mt 5:48; Lc 6:35). "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave." Efésios 5:1,2
Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração;
Os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza.
Mas vós não aprendestes assim a Cristo, " Efésios 4:17-20
A evidência da natureza da epístola, como uma unidade, fortemente apóia a prova textual de 1:1
"Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: " Efésios 1:1 de que esta carta dificilmente teria sido uma mensagem escrita pelo apóstolo Paulo para seus muitos amigos e convertidos na igreja de Éfeso.
Duas perguntas foram muito discutidas pelos eruditos: 1. Para quem a epístola teria sido escrita? 2. E, como veio ela a ser conhecida por “epístola do apóstolo Paulo aos Efésios?” Nenhuma das duas perguntas pode ser respondida com certeza, entretanto, damos aqui algumas das explicações que têm sido sugeridas sobre o assunto:
a. Não foi enviada a uma igreja em particular, mas a qualquer cristão que viesse a lê-la. Alguns têm sustentado que 1:1 faz sentido sem as palavras “em Éfeso” ou mesmo sem referência a qualquer outra localidade, lendo-se então, “aos santos que também são fiéis em Cristo Jesus”.
Gramaticalmente esta é uma interpretação bem difícil, pois “fiéis” é uma expressão que, juntada a “santos”, dificilmente requereria a ênfase que é dada pelo artigo, pelo particípio e pela conjunção “e” juntos.
Os textos paralelos nas epístolas aos Romanos, 1 e 2 Coríntios e Filipenses nos levam quase inevitavelmente à conclusão de que, originalmente, havia de fato um nome de lugar no versículo.
Além do mais, há passagens que, evidentemente foram escritas, tendo o autor, leitores específicos em mente, mesmo que tenham sido leitores de várias e diferentes igrejas (1:15; 6:21). "Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, "Efésios 1:15 "Ora, para que vós também possais saber dos meus negócios, e o que eu faço, Tíquico, irmão amado, e fiel ministro do Senhor, vos informará de tudo. O qual vos enviei para o mesmo fim, para que saibais do nosso estado, e ele console os vossos corações.
Paz seja com os irmãos, e amor com fé da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo.
A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém." Efésios 6:21-24
b. Foi enviada a uma igreja local, mas o endereço e as saudações pessoais foram posteriormente omitidos a fim de que a carta pudesse ter um alcance mais geral. Então, de algum modo, a carta se tornou particularmente ligada a Éfeso. Não poderíamos remover as referências aos destinatários simplesmente retirando as saudações e o endereço. Este fato se opõe de forma especial ao ponto de vista de Márcion, de que a epístola fora enviada a Laodiceia.
Pode ser acrescentado que Colossenses 4:16 "E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também." Colossenses 4:16
fala de uma carta “de Laodicéia” e não apenas “a Laodicéia”, e, de fato, Paulo dificilmente teria enviado saudações em particular a crentes de Laodicéia, em Colossenses 4:13-15, "Pois eu lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e pelos que estão em Hierápolis. Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas.
Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa. " Colossenses 4:13-15
Dá-nos a entender que ele tivesse escrito uma outra carta a eles na mesma época.
c. Foi enviada a certas igrejas de uma determinada área, provavelmente a província romana da Ásia. As evidências internas e externas proporcionam bastante apoio a este ponto de vista. Há duas alternativas quanto a esta sugestão. Supõe-se que cópias da carta foram distribuídas a diferentes igrejas, e foi deixado um espaço para que o portador preenchesse o nome da igreja assim que ele a visitasse. Contra isto argumenta-se que tal expediente não encontra paralelo na maneira de escrever cartas naquele tempo, mas a resposta que pode ser dada é de que, “um plano tão simples e de tanto bom senso não necessita ser justificado por precedente” 1 . Por outro lado, sugere-se que havia inúmeras cópias da carta, tendo cada uma um destinatário diferente.
A cópia endereçada a Éfeso tornou-se a carta aceita, porque Éfeso era a igreja mais importante.
A mais forte objeção ao ponto de vista de que a epístola foi escrita a um grupo de igrejas na província romana da Asia é que temos inúmeros escritos no Novo Testamento que foram enviados a um grupo de igrejas — 2 Coríntios, Gálatas, 1 Pedro, Apocalipse — mas em cada caso o fato está claro em suas introduções. Por que não poderia ter sido endereçada da mesma maneira a estas igrejas da Asia? Não podemos dar uma resposta a esta pergunta, exceto dizer que a idéia de um mensageiro preencher o nome do lugar à medida que visitava as igrejas não é uma alternativa impossível como maneira de se dirigir a todas elas.
d. Por último, tem sido defendido, em anos recentes, que esta estranha incerteza acerca do destinatário da epístola, considerada juntamente com outras características particulares da carta, fornece provas em apoio à hipótese de que não foi Paulo, pessoalmente, que escreveu 1 GRAHAM E. “Efésios” in: A New Commentary on Holy Scriptures, Gore, Goudge and Guillaumme, 1928. 19 INTRODUÇÃO Etésios, mas que ela teria origem na mão de uma outra pessoa, posteriormente à morte do apóstolo. Devemos nos voltar agora a esta questão da autoria, mas antes de tentarmos dar qualquer palavra final, devemos primeiro considerar a relação de Efésios com outros escritos neotestamentários.
III – PROPÓSITO E MENSAGEM 1. O propósito. 2. A mensagem.
O propósito de Deus é apresentado não como sendo desta terra, mas do céu, pelo fato de que já existia antes da fundação do mundo. Eleição, tal como disse Calvino, é o “fundamento e a primeira causa” de todas as bênçãos. E a doutrina da eleição permeia toda a Bíblia. Israel foi escolhido, não por algum mérito, mas para ser o meio de cumprir o propósito eterno de Deus (veja Dt 7:6-8; Is 42:1; 43:20).
No Novo Testamento o princípio da eleição é confirmado, mas já não há uma limitação nacional — uma verdade que esta epístola desenvolve e expõe mais adiante. Esta doutrina da eleição, ou predestinação, não é levantada como um assunto de controvérsia ou especulação. Não é colocada em oposição ao fato auto-evidente da livre vontade do homem. Envolve um paradoxo que o Novo Testamento não procura resolver, e que nossas mentes finitas não podem compreender em sua profundidade.
Paulo enfatiza tanto o propósito soberano de Deus quanto o livre arbítrio do homem. Ele tomou o evangelho da graça e o ofereceu a todos. Então, para aqueles que aceitaram o evangelho, ele apresentou a doutrina da eleição por duas razões, as quais encontramos ligadas de modo semelhante em João 15:16, Romanos 8:29, 2 Tessalonicenses 2:13, 2 Timóteo 1:9 e 1 Pedro 1:2. Primeiro, o cristão necessita perceber que sua fé descansa completamente sobre a obra de Deus e não sobre o fundamento inseguro de qualquer coisa que encontre em si mesmo. Tudo é trabalho do Senhor, e de acordo com o Seu plano, um plano que existia antes da fundação do mundo. Segundo, Deus nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis perante ele (cf. 5:27 e Cl 1:22). Eleição não é apenas para salvação, mas para santidade de vida. Fomos “criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”, conforme 2:10.
Os cristãos foram predestinados “para serem conforme à imagem de Seu Filho” (Rm 8:29). O objetivo e o alvo da vida cristã é, portanto, a perfeita santidade (Mt 5:48), que é expressa em seu aspecto positivo como dedicação da vida (veja a respeito no versículo 1 ) e, negativamente, como a possibilidade de livrar-se de todo o erro. Atrás da palavra amõmous, usada de modo semelhante eni Filipenses 2:15, e aqui traduzida por irrepreensíveis, (RV — “without blemish”), há uma conexão com os sacrifícios do Antigo Testamento.
Somente um animal perfeito podia ser oferecido a Deus (veja Lv 1:3, 10). De maneira que, na expressão de Hebreus 9:14, Cristo a si mesmo se ofereceu moral e espiritualmente “sem mácula a Deus” (1 Pe 1:19). A vida do cristão também deve ser “sem mácula”, não apenas de acordo com os padrões humanos, mas também perante Ele, o qual é a Testemunha de tudo o que um homem faz, pensa e diz. (A respeito desta mesma ênfase dada pelo apóstolo à vida do homem vivida a cada momento perante Deus, veja Rm 1:9; 2 Co 4:2; G11:20; 1 Ts 2:5).
As palavras em amor podem ser entendidas de acordo com as que seguem ou com as que precedem, e as diversas opiniões de tradutores e comentadores, tanto do passado como do presente, indicam que não é possível ser dogmático quanto à intenção do escritor. Uma possível tradução seria “Ele nos predestinou em amor para sermos Seus filhos”. Talvez esteja certo; pelo menos é uma verdade que o parágrafo todo enfatiza. Mas a posição da frase e seu uso em outros lugares da epístola dentro de um contexto de amor do homem, mais do que amor de Deus (3:17; 4:2, 16; 5:2), levam a crer que a idéia do autor é de que santidade de vida somente é perfeita em amor e através dele (cf. 1 Ts 3:12). 5. A RV traduz predestinados por “preordenados”. O grego proorisas (predestinados) significa literalmente “marcados de antemão”. É apenas uma outra palavra que expressa o fato de que o plano de Deus para Seu povo vem desde a eternidade. Tal plano é o ato divino de adoção de filhos por meio de Jesus Cristo. Os homens foram criados para viverem em comunhão com Deus, como filhos com o Pai (Gn 1:26; At 17:28). Pelo pecado o privilégio se perdeu, mas pela graça em Cristo e através dEle, a restauração à filiação se tornou possível (Jo 1:12). Adoção — que não era um costume judeu, mas romano — é a melhor maneira de descrever isto (cf. Rm 8:15, 23; G1 4:5), porque um filho adotado deve sua posição à graça e não ao direito, e, ainda mais, é trazido ao seio da família, passando a ter os mesmos privilégios e deveres de um filho de nascimento. O que Deus fez foi segundo o beneplácito da sua vontade. Ambas as expressões falam aqui do Seu propósito e do Seu amor soberano. Beneplácito (eudokia) tem dois sentidos nas Escrituras. Algumas vezes significa boa vontade para com alguma pessoa (Lc 2:14); mas onde não há referência à pessoa que sente esta boa vontade , geralmente significa propósito, tal como bem se encaixa no contexto aqui e no versículo (cf. Mt 11:26)— embora também possa haver uma idéia do primeiro sentido (cf. o uso do verbo correspondente em Lc 12:32).
O propósito de Sua vontade (thelèmatos) é o que Moule descreve como Sua “resolução deliberada e beneficente” 1 6 . Neste versículo aparece pela primeira vez a frase para louvor da glória de sua graça que ocorre mais duas vezes neste parágrafo, tal como um refrão no final de estrofes sucessivas num poema. A glória de Deus é a manifestação de Sua própria natureza e a graça é Sua suprema auto manifestação. (Veja Ex 33:10: 34:5-7).
Assim como Israel foi escolhido para viver para Seu louvor (Is 43:21), "A esse povo que formei para mim; o meu louvor relatarão. Contudo tu não me invocaste a mim, ó Jacó, mas te cansaste de mim, ó Israel.
Isaías 43:21,22
assim também aqueles que são recebidos em Cristo como filhos devem demonstrar a natureza da graça do Pai e, dessa maneira, glorificá-lo (cf. 5:1,2; Mt 5:48; Lc 6:35). "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave." Efésios 5:1,2
"Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus." Mateus 5:48
"Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus.
Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso." Lucas 6:35,36
A palavra graça é significativa demais para que Paulo passasse por ela superficialmente (cf. versículo 7 e 2:7). Ela deve ser qualificada e definida. O verbo grego caritoõ, usado na cláusula que Ele nos concedeu gratuitamente no amado, tem sua raiz no substantivo cáris (graça).
(Compare as construções das frases nos versículos 19, 20; 2:4 e 4:1). Algumas vezes tem-se entendido esta frase como “a graça com a qual Ele nos fez graciosos”; assim sendo, Crisóstomo (citado por Abbott) diz, “é como se alguém tomasse um leproso e o transformasse num jovem radiante”.
Mas de acordo com o contexto, significa mais “o favor com o qual Ele nos tem favorecido”, ou ainda “graça, que ele nos concedeu gratuitamente”. O que se tem em mente é a graça objetiva de Deus, o favor imerecido de Deus para conosco, mais do que qualquer virtude que recebemos. Novamente é enfatizado que isto se dá em Cristo que é o amado.
Esta expressão (o amado) também foi usada para Israel, e desta forma veio a ser usada como título do maior Representante de Israel, o Messias.
Uma vez que ser redimido é a necessidade básica que o homem tem da graça de Deus, a bênção da redenção segue-se à graça restauradora. Tal redenção encontra-se em Cristo — não apenas através dEle, mas por homens vindos a viver nEle (Rm 3:24; Cl 1:14).
Novamente o Antigo Testamento nos fornece elementos para compreensão, pois nele havia provisão para serem redimidas terras ou pessoas que haviam deixado de pertencer ao proprietário original para se tornarem propriedade de outro (veja Lv 25:25-27, 47-49; Nm 18:15).
Além do mais, o povo de Israel era um povo essencialmente redimido. Tinha sido escravo no Egito, e, posteriormente, devido à sua pecaminosidade, também o foi na Babilônia. Ainda assim Deus os redimiu, e pela redenção foram feitos Seu povo (Ex 15:13; Dt 7:8; Is 48:20; 59:9).
A idéia fundamental de redenção é de tornar livre uma coisa ou pessoa que se tornara propriedade de outrem. As vezes, tanto no Antigo como no Novo Testamento, não há menção explícita quanto ao preço pago pela redenção, e a palavra possui então apenas o sentido básico de soltura (Lc 21:28; Rm 8:23; Hb 9:15).
Mas a mente de Paulo freqüentemente se ocupava muito da idéia de redenção a um preço altíssimo, e em inúmeras passagens no Novo Testamento esta idéia está obviamente presente (At 20:28; 1 Co 6:20; 1 Pe 1:18; Ap 5:9).
Não podemos afirmar aqui que Paulo se refira explicitamente ao custo da redenção, mas logo a seguir diz que ela se dá pelo Seu sangue. Também não teria ele hesitado em declarar que aquilo que é o instrumento de libertação, é também o preço.
No caso da páscoa, a redenção do povo estava associado a um sacrifício. Entretanto, o objetivo básico da maioria dos antigos sacrifícios era lançar fora o pecado. Estava profundamente arraigado na mentalidade do povo o fato de que o pecado não podia ser facilmente posto de lado. Pecado requeria sacrifício; “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22; Lv 17:11).
Cristo satisfez a necessidade que estava patente em todo o sistema sacrificial do Antigo Testamento. Sua morte significa que houve derramamento de sangue como sacrifício pelo pecado; e isto também pode ser descrito em termos de derrota do pecado e, que tem como conseqüência, o homem libertar-se de sua escravidão.
O sacrifício é, dessa maneira, o meio de redenção, que é a remissão dos pecados. O pecado implica escravidão da mente, vontade e membros, ao passo que remissão é liberdade, é aphesis, palavra usada aqui, que literalmente significa a soltura de uma pessoa de algo que a prenda. Paulo diz que esta remissão e perdão ocorrem segundo a riqueza da sua graça, graça que está além de qualquer bem terreno (Mt 6:19; 1 Tm 6:17; Hb 11:26).
Por seis vezes o apóstolo fala nesta carta das riquezas de Deus, reveladas e acessíveis aos homens, da riqueza de Sua graça, da Sua misericórdia e da Sua glória (1:7, 18; 2:4, 7; 3:8, 16), e tal expressão é caracteristicamente paulina (Rm 2:4; 9:23; 11:33; 2 Co 8:9; Cl 1:27; 2:2).
Deus não só compartilha conosco da sua riqueza, mas no-la dá segundo a medida que Ele tem como necessária (Fp 4:19).
Todavia, estes qualificativos da graça não estão exaustivamente explorados. “Abundância” é outra palavra favorita do apóstolo, a qual expressa a quantidade mais que suficiente da doação divina, o jorrar de uma fonte que tem origem abundante e profunda ; e , que também por Sua graça, expressa a qualidade que se espera da vida de um cristão (1 Ts 3:12; 4:1,10).
E é na expressão em toda a sabedoria e prudência que encontramos a quarta das grandes bênçãos que o apóstolo enumera. Deus não apenas recebe e perdoa àqueles que Ele reconciliou consigo mesmo como filhos. Ele também ilumina com a compreensão do Seu propósito. Este assunto é mais desenvolvido nos capítulos 2 e 3. Em muitos escritores clássicos faz-se distinção entre sabedoria (sophia) e prudência (phronêsis).
Embora nem sempre ocorra esta distinção, talvez seja correto distinguir nesta passagem sabedoria, que Robinson define como “o conhecimento que olha para o coração das coisas, que as conhece tal como realmente são”, de prudência, que ele chama de “compreensão que leva a agir corretamente”.
Se isto está certo, segue-se que a sabedoria de Deus não é apenas intelectual ou acadêmica, mera filosofia superior tal como a que os gnósticos nos dias primitivos da Igreja alardeavam possuir; mas é também a origem da compreensão de detalhes do viver diário (Fp 1:9).
Como Barclay diz, “Cristo outorga aos homens a habilidade de ver as grandes verdades últimas da eternidade e de resolver os problemas de cada instante”.
Os homens têm essa sabedoria e prudência porque Deus revela Sua vontade a respeito do objetivo e propósito da vida, bem como de seus detalhes (Cl 1:9). Aquilo que Ele revela, o apóstolo chama de mistério.
Em grego clássico a palavra mistêrion tinha dois significados.
O significado existente na raiz dessa palavra é de algo em que alguém era iniciado, e daí surgiu o sentido de segredo de qualquer tipo.
Na Septuaginta1 usou-se o termo mistério para indicar aquilo que é revelado por Deus (Dn 2:19), e também para indicar o mexerico que parte de um bisbilhoteiro (Eclesiástico 22:22).
Dessa maneira o uso que os cristãos fizeram dessa palavra no Novo Testamento não é necessariamente derivado das religiões pagãs de mistério, tão comuns naqueles dias. É verdade, entretanto, que Paulo não poderia ter deixado de pensar neste uso da palavra, e não há dúvida de que, conscientemente, comparou os estranhos e infundados mistérios pagãos com a verdade de Deus, em Cristo revelada a todos os que a recebem, e por meio de Cristo dada à Sua Igreja para proclamar ao mundo. Pois para Paulo, o mistério essencial era a maneira pela qual Deus, por meio de Cristo, traz os homens de volta à comunhão Consigo mesmo. E mais do que isso, é a maneira pela qual Ele traz a uma unidade restaurada o universo inteiro que se tornara desordenado devido à rebelião e pecado do homem.
Portanto, a palavra no Novo Testamento diz respeito não a alguma coisa misteriosa, mas a alguma coisa revelada, e, de um modo geral, as palavras que expressam abertura, e não guarda de segredo, é que melhor traduzem mistêrion (Cl 1 N. do T. — Tradução grega do Antigo Testamento.
Por outro lado, a palavra tem também o significado de uma verdade que anteriormente ainda não fora revelada, mas que agora o é (Rm 16:25), e o fato ainda mais importante de que a compreensão depende da vontade de Deus em revelá-la e do desejo do homem de receber entendimento, o qual deve ser dado por Deus.
Vemos, então, que o apóstolo, tal como nos versículos 7 e 8 , onde procurava descrever e exaltar a generosidade da graça de Deus, aqui no fim deste versículo quer expressar a maravilha do Seu propósito.
Devemos, entretanto, analisar a palavra dispensação para compreender melhor o significado que lhe atribui o apóstolo.
O que se tem em mira aqui é o governo ou o arranjo das coisas para o povo de Deus e para todo o universo. Jesus Cristo ordena cada coisa a seu tempo, e com sabedoria infinita ordena o tempo de cada coisa.
Deve-se também destacar que a palavra usada para tempos não é chronos, que dá a idéia de passagem de tempo em dias, meses e anos, mas kairos, que se refere a tempos particulares, os tempos decisivos de cumprimento dos propósitos de Deus.
Bruce faz deste trecho uma boa paráfrase: “Quando todos os tempos e épocas que Deus fixou por Sua própria autoridade tiverem se completado, o eterno propósito de Deus, o qual Ele planejou em Cristo, alcançará completa realização”.
A palavra grega anakephalaiõsasthai {fazer convergir) era usada no sentido de juntar várias coisas e apresentá-las como sendo uma só. O costume grego era somar uma coluna de números e colocar o resultado em cima, e este nome foi dado a tal processo. Desse modo usava-se a palavra em retórica para resumir o discurso ao seu final, de modo a mostrar a relação de cada parte para com o argumento todo.
Em Romanos 13:9 é usada para resumir os vários mandamentos na exigência do amor. Para um estudo mais minucioso da palavra, veja Robinson, pp 234. 2 “to be put into effect when the time was ripe” (NEB) três idéias estão presentes na palavra — os fatos da restauração, da unidade e de Cristo ser o cabeça.
Weymouth deixa bem claras estas idéias ao traduzir: “o propósito... de restaurar toda a criação de modo a achar seu único Cabeça em Cristo”.
Todas as coisas foram criadas em Cristo (Cl 1:16).
Devido ao pecado, vieram ao mundo desordem e desintegração intermináveis; mas ao final, todas as coisas serão restauradas à sua função original e à sua unidade pelo fato de terem sido trazidas à obediência a Cristo (Cl 1:20).
A frase todas as coisas, que em grego expressa universalidade absoluta (Cl 1:17; Hb 1:3), significa: tanto as do céu como as da terra.
Paulo tem em mente toda a criação, tanto a espiritual como a material.
Além do mais, esta epístola não fala apenas de um objetivo distante, mas apresenta — agora num mundo dividido por barreiras de raça, cor, cultura e sistema político — a tarefa da Igreja, qual seja, de trazer todas as coisas e todos os homens ao cativeiro da obediência a Cristo (2 Co 10:5), e a descoberta de suas verdadeiras funções e unidade nEle.
A frase final do versículo 10 reitera que a bênção nele mencionada, bem como as demais, é recebida em Cristo e o mesmo se aplica ao versículo onze, pois Paulo continua dizendo no qual (Cristo) fomos também feitos herança.
Basicamente o verbo aqui, klêroõ, significa “escolher por lote”. Freqüentemente no uso da palavra desaparece a idéia de “lote”, e o pensamento é essencialmente aquele que ocorre com freqüência no Antigo Testamento quando se fala de Israel como a porção de Deus (Dt 4:20; 9:29; Zc 2:12).
A palavra herança (klêronomia; v. 14) é palavra cognata, e embora não seja exatamente o que significa aqui, dá essa idéia, de que aqueles que são porção de Deus, têm sua herança nEle. Neste ponto quando diz que nós, os judeus, nos tomamos Seu povo, Paulo está falando da realização do propósito de Deus para os homens iniciada no Velho Testamento.
O plano divino para a redenção do homem começou com os judeus sendo predestinados segundo o propósito dAquele que faz todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade.
A mesma palavra predestinados foi usada no versículo 5. Eles foram “marcados de antemão”, para participarem do Seu propósito.
E tal propósito não é como planos ou projetos da história, os quais se concretizam ao sabor das circunstâncias, à medida que passam os anos e séculos. Esse propósito parte de um Deus pessoal que está ativo no mundo, operando Sua própria vontade em sabedoria e graça (Rm 8:28).
As palavras aqui usadas possuem esta força: primeiro, da ação de Deus “impulsar” (energountos) ou seja “energizar” todas as coisas; portanto, Seu plano determinado (boulê; At 2:23; 4:38; 13:36; 20:27); portanto Seu querer ou vontade (thelêma; vs. 5 e 9). Weymouth traduz assim: “cujo poder em tudo leva a efeito o desígnio de Sua própria vontade”.
O apóstolo diz que o objetivo deste plano para com os judeus era de que eles deveriam servir para louvor da Sua glória. Não foi com outro propósito que Deus escolheu Abraão, e operou Seu desígnio na história de Israel, senão o de que eles manifestassem ao mundo a Sua glória (Is 43:21), Seu caráter e natureza revelados.
De modo que aqui Paulo fala daqueles que de antemão esperaram em Cristo. Aqui o verbo esperar possui o prefixo pro\ o que pode dar margem a dois significados: primeiro, que eles já esperavam em Cristo antes dos outros (mas depois da encarnação); ou, segundo, que eles tinham colocado sua esperança em Cristo antes de Sua vinda.
O fato de que os judeus tinham o conhecimento do evangelho antes dos gentios é expresso em Romanos 1:16 e 2:9. Entretanto, é mais provável que aqui se refira à esperança judaica em “o Cristo” (o grego possui o artigo) antes de Sua vinda (At 28:20).
Este versículo tem sido traduzido de inúmeras maneiras, mas o sentido mais provável é: em Quem (Cristo...) também vós (...) fostes selados. Os gentios que outrora estavam sem esperança (2:12) passaram a participar do mesmo propósito que os judeus, pelas mesmas razões, pois Paulo continua a dizer o que isso significava para eles.
Os gentios passaram a participar do propósito de Deus porque vieram a conhecer Jesus como o Cristo, e este conhecimento transformador é descrito de duas formas. Primeiro, é a palavra da verdade, ou seja, a palavra que lhes trouxe ao conhecimento da realidade última, a revelação de Deus em Seu Filho (4:21; Cl 1:5). E em segundo lugar, aquela verdade é o evangelho ou as boas novas, não apenas por ser revelação, mas também por ser mensagem de amor e misericórdia e salvação de Deus para homens pecadores (Rm 1:16).
Ouvir essa palavra é de importância vital, porque só pelo ouvir é que se chega ao conhecimento da verdade do evangelho (Rm 10:14).
Tanto gentios como judeus, tendo ouvido e crido, foram selados. No mundo antigo, o selo representava o símbolo pessoal do proprietário ou do remetente de alguma coisa importante, e, por isso, tal como numa carta, distinguia o que era verdadeiro do que era espúrio. Era também a garantia de que o objeto selado havia sido transportado intacto.
Na época do Novo Testamento havia certos cultos religiosos que tinham o costume de fazer tatuagens com o emblema do grupo em seus seguidores, com o que se dizia “terem sido selados” os iniciados.
Esta idéia pode ter estado também na mente de Paulo ao usar esta expressão, bem como no texto de um outro contexto como o de Gálatas 6:17, embora não necessariamente. Os judeus consideravam a circuncisão como um selo (Rm 4:11). O Espírito Santo é o selo do cristão. A experiência do Espírito Santo na vida é, para o cristão prova cabal, e também uma demonstração para os outros, da genuinidade do objeto da sua fé, além da segurança interior proporcionada pela convicção de pertencer a Deus como filho (Rm 8:15; G1 4:6).
O batismo tornou-se conhecido como o selo do Espírito, porque é “um sinal exterior e visível” da obra interior de Deus, sinal que é dado ao crente. Mas aqui está bem claro que a presença do Espírito Santo é que é o selo.
O espírito na vida do crente é o sinal inegável da obra de Deus nele e para ele. O Espírito constitui também o meio pelo qual o cristão pode ser guardado “intacto” até o dia do Senhor.
(Deve-se compreender que os contextos aqui, em 4:30 e em 2 Co 1:21 — passagens em que se fala do “selo” — todos versam sobre a posse plena das bênçãos de Deus no final).
A expressão Santo Espírito da promessa pode, no grego, ter o sentido de “o Santo Espírito prometido”, ou seja, o Espírito que foi prometido no Antigo Testamento (Ez 36:26; 37:1-14;.J1 2:28) e, posteriormente, pelo Senhor (Lc 24:49; Jo 14 e 16; At 1: 4).
Se tal é o sentido, é um pouco estranho que Paulo tivesse deixado de fazer uso do particípio. Parece mais provável que com essa expressão quisesse falar do Espírito Santo cuja presença traz a promessa das boas coisas vindouras.
Num negócio entre duas partes o penhor (arrabôn — uma palavra que os gregos herdaram dos mercadores fenícios) era um pagamento parcial, que dava a certeza de que o pagamento total seria feito.
A palavra grega é usada três vezes na LXX (em Gêneses 38:17-20) com o sentido de garantia, e significativamente a mesma palavra é usada em grego moderno para designar o anel de noivado, ou seja, de compromisso (Bruce).
A experiência que o cristão tem do Espírito e, presentemente, uma antecipação e uma garantia daquilo que será seu quando entrar na posse plena da herança legada por Deus. (Compare 2 Co 1:21 — onde penhor também está ligado à idéia de selo — 2 Co 5:5, e também Rm 8:23, onde, com sentido semelhante, o Espírito é chamado “as primícias“, isto é. os primeiros frutos).
Até ao resgate da sua propriedade tem sido traduzido às vezes por “até à obtenção (plena) de nossa possessão divina” (Moffatt). A favor disto está o fato de que se continua o pensamento já expresso na metáfora do penhor. Mas as palavras resgate (apolutròsis) e propriedade (peripoiêsis), como muitos outros termos deste trecho, como palavras técnicas que são, devem, mais naturalmente, ser interpretadas à luz do seu uso no Antigo Testamento, uso este que os cristãos estavam adquirindo de novo.
O resgate é a libertação de escravos do pecado para se tornarem povo de Deus. Com este sentido foi a palavra usada no versículo 7, e freqüentemente ocorre no Novo Testamento com esta acepção.
Tal resgate é, parcialmente, alcançado agora, mas no fim o será totalmente (4:30 Rm 8:23; Lc 21:28); nessa ocasião Deus tirará das mãos estranhas aquilo que é Seu. O que Ele objetiva resgatar é o “povo exclusivo” do próprio Deus, e esta idéia ocorre em 1 Pedro 2:9, e faz lembrar Êxodo 19:5 e talvez Isaías 43:21 e Malaquias 3:17. 1 Se seguirmos esta idéia, devemos compreender que “a metáfora de uma transação mercantil a esta altura desapareceu” (Robinson), e as metáforas do Antigo Testamento, que se encontravam mais facilmente na mente do apóstolo, são retomadas.
Em qualquer outro caso, esta grande doxologia termina com o pensamento da possessão plena de tudo o que Deus planejou para os homens — tanto judeus como gentios, cada estágio da revelação do propósito de Deus, é em louvor da Sua glória.

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